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terça-feira, 26 de julho de 2022

Ainda Estou Aqui - Marcelo Rubens Paiva

Ainda Estou Aqui - Marcelo Rubens Paiva


Editora: Alfaguara
Ano da Edição: 2015
Páginas: 296
Título Original: Ainda Estou Aqui

Sinopse
Eunice Paiva é uma mulher de muitas vidas. Casada com o deputado Rubens Paiva, esteve ao seu lado quando foi cassado e exilado, em 1964. Mãe de cinco filhos, passou a criá-los sozinha quando, em 1971, o marido foi preso por agentes da ditadura, a seguir torturado e morto. Em meio à dor, ela se reinventou. Voltou a estudar, tornou-se advogada, defensora dos direitos indígenas. Nunca chorou na frente das câmeras. Ao falar de Eunice, e de sua última luta, desta vez contra o Alzheimer, Marcelo Rubens Paiva fala também da memória, da infância e do filho. E mergulha num momento negro da história recente brasileira para contar - e tentar entender - o que de fato ocorreu com Rubens Paiva, seu pai, naquele janeiro de 1971.



Resenha

terça-feira, 7 de novembro de 2017

O Quinze - Rachel de Queiroz

O Quinze - Rachel de Queiroz

Editora: José Olympio
Ano da Edição: 2014
Páginas: 160
Título Original: name

Sinopse
O Quinze foi o primeiro e mais conhecido romance da escritora. A história se dá em dois planos: um enfocando o vaqueiro Chico Bento e sua família; o outro, a relação afetiva entre Vicente, rude proprietário e criador de gado, e Conceição, sua prima culta e professora. Conceição é apresentada como uma moça amante dos livros e com tendências feministas e socialistas. O período de férias, ela passava na fazenda da família com a avó Mãe Nácia, no Logradouro, perto do Quixadá, onde morava seu primo Vicente. Com o advento da seca, a família de Mãe Nácia decide ir para cidade e deixar Vicente cuidando de tudo, resistindo. No segundo plano, Rachel apresenta a marcha trágica do vaqueiro Chico Bento com sua mulher e seus cinco filhos, representando os retirantes. Ele é forçado a abandonar a fazenda onde trabalhava. Com algum dinheiro, mantimentos e um animal, ruma para o Norte, onde há a extração da borracha. No percurso, o filho mais novo morre envenenado e o mais velho desaparece. Ao chegarem no campo de concentração, são reconhecidos por Conceição, sua comadre, que vai lhes prestar ajuda. Rachel conseguiu exprimir os anseios e angústias da sua região brasileira.



Resenha

O último dia 4 de novembro foi o marco de 40 anos de que a primeira mulher assumiu uma cadeira na Academia Brasileira de Letras (sim, também fiquei chocada que só em 1977 tivemos a nossa primeira representante feminina na ABL...). Esta mulher foi a cearense Rachel de Queiroz. Ela nasceu em 17 de novembro de 1910 e faleceu em 4 de novembro de 2003. Rachel de Queiroz é uma das mulheres mais importantes da literatura brasileira e ganhou inúmeros prêmios, inclusive foi a primeira mulher a receber o Prêmio Camões, em 1993. Como uma singela homenagem, vim escrever uma resenha sobre uma de suas mais aclamadas obras: O Quinze.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Iracema - José de Alencar

Iracema - José de Alencar

Editora: Edições Câmara
Ano da Edição: 2017
Páginas: 101
Título Original: Iracema

Sinopse
Uma das histórias de amor mais aclamadas da literatura brasileira, Iracema apresenta o romance do herói branco com a linda virgem dos lábios de mel. A bela índia Iracema detém o segredo da Jurema, que lhe cobra virgindade. O valente guerreiro português Martim tem a missão de fiscalizar a costa cearense contra invasões estrangeiras. Desse amor proibido nasce o primeiro mestiço, símbolo do povo brasileiro. Obra mais conhecida da literatura romântica nacionalista de José de Alencar, Iracema é uma aventura épica recheada de lirismo poético.



Resenha

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

1822 - Laurentino Gomes

1822 - Laurentino Gomes

Editora: Globo Livros
Ano da Edição: 2015
Páginas: 376
Título Original: 1822

Sinopse
O segundo volume da premiada trilogia de Laurentino Gomes, dedicado à Independência do Brasil, está de volta às livrarias em uma edição revista e ampliada pela Globo Livros. 1822 traz importantes novidades, como os resultados da exumação dos restos mortais de Dom Pedro e suas duas mulheres oficiais, as imperatrizes Leopoldina e Amélia, realizada em 2012 pela arqueóloga e historiadora Valdirene do Carmo Ambiel, da Universidade de São Paulo. Os exames ajudaram a esclarecer mistérios na vida desses três personagens. Mostraram, por exemplo, que em consequência de dois acidentes a cavalo, ocorridos no Rio de Janeiro em 1823 e 1829, o imperador havia fraturado quatro costelas do lado esquerdo. Essas fraturas praticamente inutilizaram parte um de seus pulmões, o que pode ter agravado a tuberculose que o matou em 1834. Em 1822, Laurentino compara diferentes relatos sobre o dia 7 de setembro e a proclamação da independência. Mais do que desmistificar o grito às margens do Ipiranga, o escritor analisa como Dom Pedro conseguiu, apesar de todas as dificuldades, fazer do Brasil uma nação na sequência das mudanças provocadas pela fuga da família real portuguesa em 1808. O autor mostra como as Guerras Napoleônicas, a Revolução Francesa e a independência dos Estados Unidos, entre outros acontecimentos, criaram um ambiente favorável à criação de um novo país nos trópicos. Laurentino une a pesquisa a um texto leve e saboroso que trata história como um assunto cativante, que nos leva a compreender melhor as origens do Brasil e como problemas estruturais ainda influenciam a nossa realidade hoje. Vencedor do Prêmio Jabuti de Melhor Reportagem e aclamado como Livro do Ano de Não Ficção, 1822 é uma leitura essencial para todos que desejam compreender melhor o nosso país.



Resenha

A resenha de sexta dessa semana foi antecipada para a quinta, para podermos utilizar a data especial de 7 de setembro e falarmos sobre os 195 anos do dia da nossa independência. O segundo livro da trilogia de Laurentio Gomes, 1822, fala justamente sobre esse marco na nossa história: a situação política e social no Brasil daquela época, os motivos e os acontecimentos que culminaram no Grito da Independência dado por D. Pedro.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Malagueta, Perus e Bacanaço - João Antônio

Malagueta, Perus e Bacanaço - João Antônio

Editora: Cosac Naify
Ano da Edição: 2015
Páginas: 224
Sinopse
Livro de estréia em que João Antonio, aos 26 anos, viu-se imediatamente apontado pela crítica como sucessor da tradição fundada por Mário de Andrade e Antônio de Alcântara Machado, em que a literatura e a capital paulistana são indissociáveis. Os contos de abertura equilibram com maestria a emotividade de histórias simples e uma notável ausência de sentimentalismo. Os últimos instauram aquele que seria um dos temas primordiais da obra do escritor: o mundo da sinuca e da malandragem, com seus tipos, sua ética, sua estética, por meio de uma estilização brilhante da linguagem oral.



Resenha

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Amor de Capitu - Fernando Sabino

Amor de Capitu - Fernando Sabino

Editora: Ática
Ano da Edição: 2008
Páginas: 296
Título Original: Amor de Capitu

Sinopse
Além de romances, novelas, contos e crônicas consagrados pela crítica e pelo público, a versátil criatividade de Fernando Sabino já o levou a diversas incursões em áreas inexploradas da literatura, com senso imaginativo e pleno domínio da expressão verbal.

Em Amor de Capitu ele realiza uma experiência inédita, ao recriar Dom Casmurro sem o narrador original. "O que sempre me atraiu neste romance admirável", afirma, "foi descobrir até que ponto a dúvida sobre a infidelidade de Capitu teria sido premeditada pelo autor através de narrador tão evasivo e casmurro...".
Ao transpor o romance de Machado de Assis para a terceira pessoa, Fernando Sabino consegue enriquecer o mistério, abrindo uma nova possibilidade de leitura de um dos nossos gênios literários. Essa foi a forma encontrada para homenagear o escritor a quem admira desde a juventude. Homenagem que, para o público, traduz-se em duplo prazer: apreciar o encontro de dois grandes romancistas brasileiros.


Resenha

Em homenagem ao aniversário de Machado de Assis, que é dia 21 de junho (são 178 anos de seu nascimento), decidimos fazer uma semana especial sobre uma de suas mais famosas e intrigantes obras: Dom Casmurro. Na segunda-feira Gabriela já falou sobre a obra original e hoje eu vou falar de uma ótima e fiel releitura escrita por Fernando Sabino, Amor de Capitu.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Dom Casmurro - Machado de Assis

Dom Casmurro - Machado de Assis

Editora: Abril
Ano da Edição: 1981
Páginas: 174

Sinopse
Seria a bela Capitu, com seus "olhos de cigana oblíqua e dissimulada", uma adúltera? Teria fundamento o ciúme que corrói a alma de Bentinho? Com finura psicológica e incomparável maestria literária, o grande Machado de Assis mergulha na vida interior do protagonista-narrador, mostrando como a dúvida embaça as emoções e mistura real e imaginário, passado e presente. Uma obra-prima da literatura universal.



Resenha

Em homenagem ao aniversário de Machado de Assis, que é dia 21 de junho (são 178 anos de seu nascimento), eu e Larissa decidimos fazer uma semana especial sobre uma de suas obras. Escolhemos Dom Casmurro, pois foi a única que eu li (é, estou um pouco envergonhada). Hoje, eu vou resenhar o original e, na sexta, Larissa vai falar sobre uma releitura da obra.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Auto da Compadecida - Ariano Suassuna

Auto da Compadecida - Ariano Suassuna

Editora: Nova Fronteira
Ano da Edição: 2014
Páginas: 192
Sinopse
O "Auto da Compadecida" consegue o equilíbrio perfeito entre a tradição popular e a elaboração literária ao recriar para o teatro episódios registrados na tradição popular do cordel. É uma peça teatral em forma de Auto em 3 atos, escrita em 1955 pelo autor paraibano Ariano Suassuna. Sendo um drama do Nordeste brasileiro, mescla elementos como a tradição da literatura de cordel, a comédia, traços do barroco católico brasileiro e, ainda, cultura popular e tradições religiosas. Apresenta na escrita traços de linguagem oral [demonstrando, na fala do personagem, sua classe social] e apresenta também regionalismos relativos ao Nordeste. Esta peça projetou Suassuna em todo o país e foi considerada, em 1962, por Sábato Magaldi "o texto mais popular do moderno teatro brasileiro".



Resenha

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Ainda Estou Aqui - Marcelo Rubens Paiva

Ainda Estou Aqui - Marcelo Rubens Paiva

Editora: Alfaguara
Ano da Edição: 2015
Páginas: 296
Sinopse
Trinta e cinco anos depois de Feliz ano velho, a luta de uma família pela verdade Eunice Paiva é uma mulher de muitas vidas. Casada com o deputado Rubens Paiva, esteve ao seu lado quando foi cassado e exilado, em 1964. Mãe de cinco filhos, passou a criá-los sozinha quando, em 1971, o marido foi preso por agentes da ditadura, a seguir torturado e morto. Em meio à dor, ela se reinventou. Voltou a estudar, tornou-se advogada, defensora dos direitos indígenas. Nunca chorou na frente das câmeras. Ao falar de Eunice, e de sua última luta, desta vez contra o Alzheimer, Marcelo Rubens Paiva fala também da memória, da infância e do filho. E mergulha num momento negro da história recente brasileira para contar — e tentar entender — o que de fato ocorreu com Rubens Paiva, seu pai, naquele janeiro de 1971.



Resenha

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Fazendo Meu Filme 1: a estreia de Fani - Paula Pimenta

Gente, estou de volta! Resolvi fazer minha primeira resenha de 2013, com o primeiro livro que li neste ano. Ganhei "Fazendo Meu Filme 1" de aniversário da minha tia, ele já estava na minha lista de desejos há algum tempo, só que acabei priorizando outros. Mas ainda bem que ganhei \o/.

Eu tinha outros livros para ler, que estão aqui há mais tempo, mas como este foi o último que ganhei (meu níver foi dia 11/01, mas aceito presentes atrasados, no problem), ficou logo no topo da pilha e acabei pegando-o.

Fazendo Meu Filme 1: a estreia de Fani - Paula Pimenta

Editora: Gutenberg
Ano da Edição: 2012
Páginas: 331

Sinopse
Tudo muda na vida de Fani quando surge a oportunidade de fazer um intercâmbio e morar um ano em outro país. As reveladoras conversas por telefone ou MSN e os constantes bilhetinhos durante a aula passam a ter outro assunto: a viagem que se aproxima.

“Fazendo meu filme” nos apresenta o fascinante universo de uma menina cheia de expectativas, que vive a dúvida entre continuar sua rotina, com seus amigos, familiares, estudos e seu inesperado novo amor, ou se aventurar em um outro país e mergulhar num mundo cheio de novas possibilidades.



Resenha

Já tinha visto algumas resenhas falando bem do livro e queria ver se fazia meu gosto também. Além disso, desde o ano passado tenho tentado ler mais coisas de autores nacionais. Porém, confesso, a capinha muito fofa foi o que me deixou balançada.

Vamos começar falando da parte estética, não só a capa é bonita, mas os trechos dos filmes no começo de cada capítulo, os bilhetinhos, as cartas e e-mails têm tipos de fonte diferentes, dando um aspecto bem legal ao livro. Pode parecer besteira, mas esses detalhes fazem diferença para mim. Os capítulos são curtos, o que deixa a leitura mais rápida, e tem um para cada DVD da coleção da Fani. Todos começam com um trechinho de um dos filmes que tem tudo a ver com o que acontece no capítulo.

Eu gostei de todos os personagens. Achei Fani cativante, Gabi e Natália são ótimas amigas e o Leo, gente, é um fofo. O melhor de tudo é que conseguimos nos identificar com eles, pois todo mundo é muito brazuca. A garota chata não é uma líder de torcida (aliás, desde quando usar aqueles uniformes ridículos e pompons é sinônimo de popularidade?) e o cara popular não é o zagueiro do time de futebol americano.

A turma da Fani podia ser a minha ou a sua turma de ensino médio. Ninguém é vampiro, bruxo, anjo, nem mesmo membro de uma família real. Fani tem 16 anos, sofre de paixonite aguda pelo professor de Biologia e está prestes a fazer um intercâmbio de 1 ano na Inglaterra. A Gabi é a melhor amiga de Fani, ela é uma superamiga mesmo, sempre está lá para consolar Fani e puxá-la de volta ao chão quando ela viaja demais. Natália está loucamente apaixonada por um menino mais velho e faz de tudo para ele notá-la. Leo é o melhor amigo de Fani, mas as outras meninas juram que ele quer algo mais, só que Fani não percebe nada.

Enfim, o livro retrata esses pequenos grandes dramas de adolescentes de uma maneira bem realista, sem exageros. Fani não é uma abestalhada como outras protagonistas de livros YA (especialmente aqueles sobrenaturais). Li que Meg Cabot foi uma das influências de Paula Pimenta e dá para notar isso, embora Fani não seja tão neurótica quanto Mia. Também achei que Leo tem uma "pegada" de St. Clair. Bem, ele não é o carinha pelo qual todas as meninas do colégio têm uma quedinha, mas é o cara gente boa, popular e amigo de todo mundo. Tá, eu sei que "Anna e o Beijo Francês" foi publicado depois, só que eu li a história de Anna e St. Clair antes.

Gostei bastante do livro e o resto da série já entrou na minha lista de desejos, só perdeu uma estrelinha porque achei o final meio corrido.

Série Fazendo Meu Filme
  1. Fazendo Meu Filme 1: a estreia de Fani
  2. Fazendo Meu Filme 2: Fani na terra da rainha
  3. Fazendo Meu Filme 3: o roteiro inesperado de Fani
  4. Fazendo Meu Filme 4: Fani em busca do final feliz

quarta-feira, 7 de março de 2012

Dragões de Éter: Círculos de Chuva - Raphael Draccon



Dragões de Éter: Círculos de Chuva - Raphael Draccon

Editora: Leya
Ano de Laçamento: 2010
Páginas: 534


Sinopse
Nova Ether é um mundo protegido por poderosos avatares em forma de fadas-amazonas. Um dia, porém, cansadas das falhas dos seres racionais, algumas delas se voltam contra as antigas raças. E assim nasce a Era Antiga. Hoje, Arzallum, o Maior dos Reinos, tem um novo Rei e vive a esperada Era Nova. Coisas estranhas, entretanto, nunca param de acontecer... Dois irmãos sobreviventes a uma ligação com antigos laços de magia negra descobrem que laços dessa natureza não se rompem tão facilmente e cobram partes da alma como preço. Uma sociedade secreta renascida com um exército de órfãos resolve seguir em frente em um plano com tudo para dar errado em busca do maior tesouro já enterrado, sem saber o quanto isso pode mudar a humanidade. O último príncipe de Arzallum viaja para um casamento forçado em uma terra que ele nem mesmo sabe se é possível existir, disposto a realizar um feito que ele não sabe se é possível realizar. Uma adolescente desperta em iniciações espirituais descobre-se uma mediadora com forças além do imaginário. E um menino de cinco anos escala uma maldita árvore que o leva aos Reinos Superiores, ferindo tratados políticos, e dando início à Primeira Guerra Mundial de Nova Ether.


Resenha

Pessoas, posso definir meu sentimento ao terminar Círculos de Chuva com uma só palavra: desapontamento. Sinceramente, eu esperava muito mais deste livro, afinal ele tinha uma classificação geral de 4.5 no skoob na época em que comprei, sendo que mais de 70 % das pessoas havia dado 5 estrelas para ele. Sem contar que o primeiro livro da série foi maravilhoso e o segundo, apesar de não ser excelente, foi bom, deixando a expectativa de que o próximo fosse pelo menos tão bom quanto. Porém, Círculos de Chuva deixou muito a desejar.

A estória se arrasta por infinitas 400 páginas (de 534 no total), para só então começarem a acontecer as coisas que realmente interessam. Tudo que vem antes das últimas cento e poucas páginas não passa de enrolação, exceto as passagens em que João Hanson aparece, pois acabam por fazer parte de seu amadurecimento como escudeiro.

O autor passa o tempo todo só inserindo novas referências a outras estórias (como as de João e o pé de feijão, Gulliver, Peter Pan e Simbad), sem realmente conectá-las de forma coesa e crível como ele havia conseguido no primeiro livro. Além disso, ele vem com aquela coisa de "Christo de Merlim" de novo!

Para mim, o livro teria sido mais bem sucedido se ele tivesse trabalhado apenas com os personagens que já havia inserido em Corações de Neve e dado maior profundidade a eles. Aliás, com tanta gente aparecendo, personagens como Maria (tão importante anteriormente) ficaram limitadas a pequenas passagens que não levaram a canto algum.

Temos ainda o casamento totalmente sem sentido de Axel com uma elfa. A meu ver, Axel poderia ter ido falar com o Elfo-Rei e convencido ele a fazer as mesmas coisas, sem que o casamento fosse necessário. E por falar nisso, se Axel estava prometido desde bebê a esta Livith, por que o fato não era de conhecimento geral, como era o acordo que envolvia Anísio e Branca? E por que foi permitido que ele se envolvesse com Maria, se ele já tinha uma noiva prometida? Essas são perguntas que não foram respondidas e são mais uma prova de que o autor saiu criando situações sem avaliar seu impacto no que já estava escrito.

Como se tudo isto não bastasse, Draccon ainda resolveu reaproveitar suas próprias estórias, reciclando o ataque pirata à capital do reino. O novo ataque foi um acontecimento totalmente despropositado, cuja única consequência foi fazer sugir do nada novos seres esquisitos.

Enfim, apesar de muita gente ter adorado o livro, eu não fui capaz de ver o motivo para tal encantamento. Só espero que o próximo livro seja bem melhor, que responda às questões que ficaram em aberto e que não seja só mais enrolação para estender a série.


Série Dragões de Éter
  1. Dragões de Éter: Caçadores de Bruxas
  2. Dragões de Éter: Corações de Neve
  3. Dragões de Éter: Círculos de Chuva

sábado, 26 de novembro de 2011

Dragões de Éter: Corações de Neve - Raphael Draccon

Depois de um longo e tenebroso inverno, venho aqui postar mais uma resenha. A minha desculpa continua a mesma: estou na reta final do meu mestrado, ainda falta um restinho para terminar a dissertação e já tenho não-sei-quantas correções a fazer. Portanto, é provável que eu dê uma nova sumida depois desse post.

Cuidado! Este resenha contém spoilers para quem não leu o primeiro livro.

Dragões de Éter: Corações de Neve -  Raphael Draccon

Editora: Leya
Ano de Laçamento: 2009
Páginas: 495


Sinopse
Nova Ether é um mundo protegido por poderosos avatares em forma de fadas-amazonas. Um dia, porém, cansadas das falhas dos seres racionais, algumas delas se voltaram contra as antigas raças. E assim nasceu a Era Antiga. Hoje, Arzallum, o Maior dos Reinos, tem um novo rei, e a esperada Era Nova se inicia.
Entretanto, coisas estranhas continuam a acontecer... Uma adolescente desenvolve uma iniciação mística proibida, despertando dons extraordinários que tocam nos dois lados da vida. Dois irmãos descobrem uma ligação de família com antigos laços de magia negra, que lhes são cobrados. Duas antigas sociedades secretas que deveriam estar exterminadas renascem como uma única, extremamente furiosa.
Após duas décadas preso e prestes a completar 40 anos, um ex-prisioneiro reconhecido mundialmente pelas ideias de rebeldia e divisão justa dos bens roubados de ricos entre pobres é libertado, desenterrando velhas feridas, ressentimentos entre monarcas e canções de guerra perigosas. O último príncipe de Arzallum resgata sombrios segredos familiares e enfrenta o torneio de pugilismo mais famoso do mundo, despertando na jornada poderosas forças malignas e benignas além de seu controle e compreensão.
E a tecnologia do Oriente chega de maneira devastadora ao Grande Paço, dando início a um processo que irá unir magia e ciência, modificando todo o conhecimento científico que o Ocidente imaginava possuir.
E o mundo mudará. Mais uma vez.


Resenha

O livro segue no mesmo estilo do anterior, com várias estórias acontecendo ao mesmo tempo, mas o narrador deixa de ser aquele bardo que vai conversando com a gente. Para algumas pessoas isso foi uma vantagem em relação a "Caçadores de Bruxas", mas para mim não ficou nem melhor ou pior por causa disso. Eu havia gostado do narrador/bardo, mas não amei tanto assim a ponto de sentir falta. Mas falando da estória, ele começa com a coroação de Anísio e com Axel se preparando para disputar o Punho de Ferro - a competição de pugilismo que reúne os campeões de cada nação do continente Ocaso.

Ao ser coroado Rei, Anísio tem direito a fazer seus Três Desejos, desejos que dificilmente alguém ousaria negar. As coisas estavam indo mais ou menos bem, até que Anísio pede como seu Terceiro Desejo a libertação de Locksley, o Robin Hood de Nova Ether, gerando divergências entre os países. Ficando de um lado os países que apoiam Arzallum e do outro os que apoiam Minotaurus.

Logo, o Punho de Ferro deixa de ser uma mera competição entre pugilistas e passar a ser como um teste de forças entre as nações. E Axel sente cada vez mais a pressão de representar Arzallum. E é a partir daí que a estória vai se desenrolando. Vários personagens do livro passado reaparecem aqui, como Arianne, João, Maria, Liriel e Snail. Sem contar que chegam pelos céus um pessoal do outro continente, trazendo consigo uma tecnologia nunca antes vista no Ocaso.

Dentro do que eu gostei do livro posso citar: (i) o amadurecimento dos personagens, principalmente de João, o final dele foi um dos que mais gostei; (ii) conhecer um pouco mais sobre Anísio e sua relação com os pais e o irmão, pois no livro passado era apenas um coadjuvante e não se sabia o que diabos ele foi fazer na Sete Montanhas, mas aqui ele ganha a mesma importância de Axel e sua infância e razões para partir são reveladas; (iii) as bruxas más não são mais simplesmente devoradoras de criancinhas e passam a ser parte de uma organização mais poderosa, com interesses políticos; (iv) e adorei Ruggiero, o competidor do oriente.

Porém, algumas coisas me incomodaram neste livro e a primeira delas é o caráter extremamente cristão que ele tem. Em "Caçadores de Buxas", a religiosidade ficava centrada no semideus criador e nas fadas que são seus avatares e eu havia gostado da "sacada" de fazer o escritor e os leitores semideuses responsáveis pelos mundos de éter. Também pode-se fazer um paralelo entre a caçada às bruxas em Nova Ether e aquela promovida pela Igreja Católica medieval, e isso ficou bem consistente no primeiro livro.

Só que achei que uma das lições que ficaria para este livro era de que a magia também pode ser boa, não há só bruxas más e que a caçada às bruxas, da forma que ela foi executada, foi um engano. Mas não é isso o que acontece em "Corações de Neve", não só os caçadores de bruxas ressurgem, como a cruz passa a ser um símbolo de Merlin, que é o "Christo" de Nova Ether. Eu não lembro exatamente como Merlin era citado no Livro 1, mas tenho certeza de que ele não tinha essa conotação tão forte de "Jesus Cristo, o Salvador". Para mim, isso fez o mundo perder um pouco de sua essência fantástica.

Outro aspecto que não agradou foi essa tecnologia dos gnomos. O mundo criado no primeiro livro tem aquele ar medieval e apesar de as crianças falarem gírias e as escolas serem como as escolas modernas, ainda assim, tudo casava bem. Mas essa coisa de naves voadoras, cristais, energia dos gênios e éter líquido não ficou bem resolvida dentro de Nova Ether. Ficou tudo muito artificial e pareceu que o autor simplesmente teve uma idéia e escreveu ela logo, sem nem pensar direito em como torná-la verossímil para o mundo criado.

Portanto, se fosse para dar uma nota entre 0 e 10, daria ao livro a nota 7,5. Assumindo que 3 estrelas daria nota 6, e 4 seria 8, eu preferi dar 4 estrelas.

Série Dragões de Éter
  1. Dragões de Éter: Caçadores de Bruxas
  2. Dragões de Éter: Corações de Neve
  3. Dragões de Éter: Círculos de Chuva

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

O Voo da Guará Vermelha - Maria Valéria Rezende

E para estrear as resenhas de livros de autores nacionais, nada menos do que um livro maravilhoso. A resenha contém alguns dos comentários que postei no Skoob quando estava lendo, para me dar uma ajuda, pois já não lembro de todos os detalhes da estória.

O Voo da Guará Vermelha -Maria Valéria Rezende

Editora: Objetiva
Ano de Laçamento: 2005
Páginas: 184


Sinopse
O livro trata da relação de Irene e Rosálio. Ela, uma mulher que chega do Norte e, em São Paulo, se torna uma prostituta com Aids. Ele, um servente de pedreiro que vive na cidade grande.
Os personagens desta obra sobrevivem na obscuridade humana, discretos e anônimos na sua miséria, mas intensos nos seus sonhos de um dia viver, porque não?, como os outros vivem, com alegria e alguma esperança. Irene tem muito a ensinar para Rosálio, e ele também a dizer para Irene - até que a linda guará vermelha consiga alçar vôo.
Com um ritmo fascinante, este livro nos captura com sua musicalidade, sua engenhosa arquitetura, sua linguagem retrabalhada à exaustão - e por isso mesmo passível de ser devorada com simplicidade e poesia.


Resenha

Eu nunca tinha ouvido falar no livro até ele estar na lista do vestibular de minha irmã, Larissa. Ela leu, disse que era muito bom e que eu devia ler também. Porém, como a gente tá sempre comprando livros, eu fui deixando para depois, achando que ele não seria tão interessante quanto outros que havia comprado. Ah, como eu estava enganada!

Adorei o livro! É diferente de tudo que já havia lido, com uma liguagem e apresentação bem peculiares. Os títulos dos capítulos são sempre nomes de cores - o primeiro é "cinzento e encarnado" - que representam elementos ou passagens importantes daquele capítulo.

É curioso como a história de Irene e Rosálio vai ficando parecida com a da história que Rosálio tanto quer ouvir: as Mil e Uma Noites (em algum lugar eu li uma resenha que fazia um paralelo entre os dois livros, mas nem me lembro mais onde foi. O que interessa é que achei muito pertinente). É muito bonita a forma como o amor de Irene e Rosálio se construiu. O livro é escrito de maneira maravilhosa, é como se estivéssemos lá no quartinho de Irene, ouvindo Rosálio contar sua história. E que história! Fica difícil saber se é verdade ou se ele inventou e/ou aumentou algumas partes. Mas isso não importa, pois bom mesmo é "ouvir" Rosálio contar a história de vários brasileiros em uma só.

Eu não esperava me encantar tanto com "O Voo da Guará Vermelha" e o melhor é saber que a escritora vive em João Pessoa há muitos anos, apesar de não ser natural daqui, dá certo orgulho, sabe?