segunda-feira, 14 de novembro de 2016

As Mil Noites - E. K. Johnston

As Mil Noites - E. K. Johnston

Editora: Intrínseca
Ano da Edição: 2016
Páginas: 320
Título Original: A Thousand Nights

Sinopse
Quando Lo-Melkhiin chega àquela aldeia — após ter matado trezentas noivas —, a garota sabe que o rei desejará desposar a menina mais bela: sua irmã. Desesperada para salvar a irmã da morte certa, ela faz de tudo para ser levada para o palácio em seu lugar. A corte de Lo-Melkhiin é um local perigoso e cheio de beleza: intricadas estátuas com olhos assombrados habitam os jardins e fios da mais fina seda são usados para tecer vestidos elegantes. Mas a morte está à espreita, e ela olha para tudo como se fosse a última vez. Porém, uma estranha magia parece fluir entre a garota e o rei, e noite após noite Lo-Melkhiin vai até seu quarto para ouvir suas histórias; e dia após dia, ela continua viva. Encontrando poder nas histórias que conta todas as noites, suas palavras parecem ganhar vida própria. Coisas pequenas, a princípio: um vestido de seu lar, uma visão de sua irmã. Logo, ela sonha com uma magia muito mais terrível, poderosa o suficiente para salvar um rei...



Resenha

Este foi o livro de setembro do Turista Literário (fiz um post sobre a mala de setembro) e a capa, a sinopse e os itens que acompanhavam o livro na mala me deixaram curiosa para lê-lo. Ele é uma releitura (reinterpretação, reconto... sei lá qual é o termo mais apropriado para o caso!) de "As Mil e Uma Noites" só que com uma pegada mais jovem adulto.

Não espere algo muito próximo ao original, pois a autora pegou apenas alguns elementos da história de Sherazade e usou-os para criar a própria história. Aliás, a Sherazade não é Sherazade, pois a personagem não tem nome, assim como quase todos personagens. Só o rei Lo-Melkhiin e uns outros 3 personagens têm nome. Para mim, isso não ajudou, nem atrapalhou em nada, é só o estilo que a autora preferiu usar.

Quanto à história em si, ela é mais focada no aspecto sobrenatural da trama. O rei passou a casar e matar as esposas depois que foi caçar no deserto e voltou mudado: foi "possuído" por uma criatura poderosa, que o povo chama de demônio. Esse demônio meio que extrai seu poder consumindo a vida de suas vítimas, por isso a morte das esposas. Mas ele fica fascinado pela nova esposa que tem alguma força dentro de si que não permite que ela sucumba.

Dessa maneira, a sobrevivência da nossa protagonista se dá mais por esse poder sobrenatural do que pela inteligência e astúcia com que ela conta suas histórias, como é no original. Não achei isso ruim, mas os mais "puristas" veem nisto um ponto para reclamar. Meu problema foi outro: o final muito corrido. Até as últimas 30 ou 40 páginas, eu estava gostando da forma como a autora foi conduzindo a história, que é narrada pela "Sherazade" sem nome, mas com alguns poucos capítulos sob o ponto de vista do demônio.

Eu pensava que a garota passaria as mil noites no palácio e iria descobrir seus poderes aos poucos. Gradativamente, ela iria encontrar uma forma de expulsar o demônio e trazer o rei de volta. Isso foi o que pensei, mas não o que aconteceu. No fim, as coisas acontecem de forma meio atropelada, a menina descobre a chave de seu poder de repente e resolve tudo num piscar de olhos. E não, não são mil noites, nem muito menos mil e uma, o que quebrou o encanto para mim.

Em resumo, o livro é bom e rápido de ler, mas você tem que lê-lo sabendo que será diferente do original. Dei 3 estrelas e meia (sim, o Skoob agora aceita meia estrela!).

A Thousand Nights
  1. As Mil Noites (A Thousand Nights)
  2. Spindle (será lançado em inglês só em dezembro)
Pelo que entendi, os livros da série não serão sequências exatas, mas releituras de outras histórias que se passarão no mesmo "mundo".

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

O Duque e Eu - Julia Quinn

O Duque e Eu - Julia Quinn

Editora: Arqueiro
Ano da Edição: 2013
Páginas: 288
Título Original: The Duke and I

Sinopse
Simon Basset, o irresistível duque de Hastings, acaba de retornar a Londres depois de seis anos viajando pelo mundo. Rico, bonito e solteiro, ele é um prato cheio para as mães da alta sociedade, que só pensam em arrumar um bom partido para suas filhas. Simon, porém, tem o firme propósito de nunca se casar. Assim, para se livrar das garras dessas mulheres, precisa de um plano infalível. É quando entra em cena Daphne Bridgerton, a irmã mais nova de seu melhor amigo. Apesar de espirituosa e dona de uma personalidade marcante, todos os homens que se interessam por ela são velhos demais, pouco inteligentes ou destituídos de qualquer tipo de charme. E os que têm potencial para ser bons maridos só a veem como uma boa amiga. A ideia de Simon é fingir que a corteja. Dessa forma, de uma tacada só, ele conseguirá afastar as jovens obcecadas por um marido e atrairá vários pretendentes para Daphne. Afinal, se um duque está interessado nela, a jovem deve ter mais atrativos do que aparenta. Mas, à medida que a farsa dos dois se desenrola, o sorriso malicioso e os olhos cheios de desejo de Simon tornam cada vez mais difícil para Daphne lembrar que tudo não passa de fingimento. Agora ela precisa fazer o impossível para não se apaixonar por esse conquistador inveterado que tem aversão a tudo o que ela mais quer na vida.



Resenha

Preciso começar dizendo que me recusava a ler romances de época. Apesar de a minha irmã me perturbar constantemente para ler essa série, eu resisti por muito tempo achando que não fazia sentido em ler um romance de época fake. “Ou você lê romances de época de verdade (= escritos há muito tempo), ou lê romances modernos. Esse negócio de fingir se passar naquele tempo não pode dar certo...”, pensava eu. Até que finalmente cedi às pressões, mas pensando que ia ler só pra pararem de importunar com isso. Mas eu estava errada. Muito errada! Me apaixonei pelo livro “O Duque e Eu” e o li em um dia. E já quero ler todos da série imediatamente.

O livro é o primeiro da série que conta a história da família Bridgerton e nos apresenta um pouco sobre cada um da família. Mas eles são tão apaixonantes, que esse pouco é suficiente pra você já quer ler todos os livros da série e conhecer mais de cada um. Nesse primeiro volume seguimos a história de Daphne, a primeira filha Bridgerton a debutar nos bailes da Londres do século 19. Sua mãe está louca atrás de um marido para sua filha, que apesar de querer se casar e ter uma família, não é uma mocinha indefesa como as outras, tem uma personalidade e tanto, que é mostrada já no primeiro encontro com o novo Duque Hastings, Simon Basset. Já rola um clima no primeiro encontro deles, mas quando Simon descobre que Daphne é a irmã de seu melhor amigo, entende que qualquer avanço com ela está fora de questão.

Assim que Daphne e Simon colocam o plano em que o Duque finge que está cortejando Daphne em ação, percebemos que os dois tem mais química do que gostariam de admitir e que esse plano para que ela se torne mais desejável para outros pretendentes não vai dar certo, porque é óbvio que eles foram feitos um para o outro. O enredo básico do livro é um super clichê, mas o desenvolver da história é bem original. E a escrita da Julia Quinn é bem fluida, a história se desenvolve de maneira natural, nada parece forçado. A ambientação que ela faz é perfeita e as personalidades dos personagens, assim como os acontecimentos do livro, parecem bem condizentes com o século 19. O único comentário a se fazer sobre a escrita é que a linguagem é bem moderna, não é muito fiel a como se falava na época em que o livro se passa. Mas isso não me incomodou nem um pouco, muito pelo contrário: adorei que o livro não é cheio de linguagem rebuscada.

 Os personagens são encantadores! A Daphne é uma moça inocente, mas com um humor impecável e não deixa um comentário sem uma resposta irônica de volta, o que deixa o livro bem divertido. Já o Simon Basset, o duque, é o típico playboy bonitão, charmoso e pegador adaptado para o século 19, e que tem um segredo que o faz ser tão contrário ao casamento e a ter filhos. Gostei muito do desenvolvimento da história, pois, apesar da atração física ser instantânea, o romance entre eles vai surgindo aos poucos, não é aquela coisa avassaladora logo no primeiro olhar. E acho que isso torna a história mais interessante e real.

Também gostei muito do fato de que tudo não acontece muito rápido e depois as coisas se resolvem e se casam na última página do livro, como a maioria dos romances. O livro não tem apenas um clímax, sempre tem coisas acontecendo e o problema maior só se resolve após o casamento do casal principal. A única coisa que achei meio sem sentido é o motivo da plena convicção que o Simon tem para não querer se casar, ou ter filhos. Sinceramente, achei meio ridículo, mas não é nada que estrague o encantamento pelo livro, ou pelos personagens. Até porque o modo como tudo se resolve foi ótimo e um jeito bem simples e realista de lidar com a situação.

E claro que não posso fechar essa resenha sem falar da Lady Whistledown. Ela produz um jornal com as fofocas da alta sociedade londrina no melhor estilo Gossip Girl. E no início de cada capítulo tem um pedaço das suas narrações e comentários ferinos sobre a parte da história que acabamos de ler. E como em Gossip Girl, não sabemos quem é a tal Lady que sabe tudo o que acontece em Londres.

Resumindo, o livro é muito bom! Os personagens são apaixonantes e a história é muito envolvente. E se você tem algum preconceito com o gênero, como eu tinha, supere-o agora mesmo e vá ler essa série. Não vai se arrepender!

Os Bridgertons
  1. O Duque e Eu (The Duke and I)
  2. O Visconde Que Me Amava (The Viscount Who Loved Me)
  3. Um Perfeito Cavalheiro (An Offer From a Gentleman)
  4. Os Segredos de Colin Bridgerton (Romancing Mister Bridgerton)
  5. Para Sir Phillip, Com Amor (To Sir Phillip, With Love)
  6. O Conde Enfeitiçado (When He Was Wicked)
  7. Um Beijo Inesquecível (It's In His Kiss)
  8. A Caminho do Altar (On The Way To The Wedding)
  9. E Viveram Felizes Para Sempre (Happily Ever After) - o livro
Tem também duas antologias com participação da Lady Whistledown que Gabriela já fez resenha aqui no blog: The Further Observations of Lady Whistledown e Lady Whistledown Strikes Back.


segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Uma Noite Para Se Entregar - Tessa Dare


Uma Noite Para Se Entregar - Tessa Dare

Editora: Gutenberg
Ano da Edição: 2015
Páginas: 288
Título Original: A Night to Surrender

Sinopse
Spindle Cove é o destino de certos tipos de jovens-mulheres: bem-nascidas, delicadas, tímidas, que não se adaptaram ao casamento ou que se desencantaram com ele, ou então as que se encantaram demais com o homem errado. Susanna Finch, a linda e extremamente inteligente filha única do Conselheiro Real, Sir Lewis Finch, é a anfitriã da vila. Ela lidera as jovens que lá vivem, defendendo-as com unhas e dentes, pois tem o compromisso de transformá-las em grandes mulheres descobrindo e desenvolvendo seus talentos. O lugar é bastante pacato, até o dia em que chega o tenente-coronel do Exército Britânico, Victor Bramwell. O forte homem viu sua vida despedaçar-se quando uma bala de chumbo atravessou seu joelho enquanto defendia a Inglaterra na guerra contra Napoleão. Como sabe que Sir Lewis Finch é o único que pode devolver seu comando, vai pedir sua ajuda. Porém, em vez disso, ganha um título não solicitado de lorde, um castelo que não queria, e a missão de reunir doze homens da região, equipá-los, armá-los e treiná-los para estabelecer uma milícia respeitável. Susanna não quer aquele homem invadindo sua tranquila vida, mas Bramwell não está disposto a desistir de conseguir o que deseja. Então os dois se preparam para se enfrentar e iniciar uma intensa batalha! O que ambos não imaginam é que a mesma força que os repele pode se transformar em uma atração incontrolável.



Resenha

Este é o primeiro livro da série Spindle Cove, que é de romances históricos ambientados na primeira metade do século XIX. Eu gosto desses livros românticos, especialmente os históricos, mas confesso que estou vivendo uma fase mais "chata", ou estou ficando mais crítica, e se o livro não tiver um elemento diferente, se for só mais um livro romântico, eu perco o interesse e me enfado rápido. E esse foi o caso desse livro.

Não me entenda mal, ele é bom, mas não traz nenhuma novidade, a autora não tem um estilo marcante. E isso é um problema quando existe uma infinidade de livros românticos que se passam no mesmo período e seguem o mesmo roteiro. Para quem não sabe esses livros seguem a seguinte fórmula:
  • Mocinho e mocinha se conhecem
  • Mocinho e mocinha não vão um com a cara do outro (opcional)
  • Mocinho e mocinha percebem que estão se gostando e começam a ficar juntos
  • Um conflito acontece e mocinho e mocinha se separam
  • Conflito é resolvido e mocinho e mocinha vivem felizes para sempre
Então, se os personagens não forem de um tipo diferente ou o conflito e resolução não forem +ou- originais, fica tudo muito repetitivo. Para mim, este ficou sendo mais um livro romântico passado na época da regência. Teria gostado mais se fosse um dos primeiros livros românticos de época que li, mas como já li muitos outros, não teve nada que me marcasse.

O que seria o "diferencial" é o fato de Spindle Cove ser um lugarejo dominado pelas jovens que vão para lá passar um tempo afastadas da sociedade. Só que achei isso muito sem-noção. O negócio se passa na Inglaterra, mas na cidadezinha não tem um pub onde os homens do lugar possam beber cerveja, pois as mulheres mandam em tudo e o antigo pub virou casa de chá!

Resumindo, não fiquei ansiosa para ler o resto da série. Eu até me interessei pelo casal do próximo livro, mas creio que demorarei um pouco para lê-lo. Ficaria mais entusiasmada para ler sobre o próximo casal se fosse uma autora como Julia Quinn. Daria 3 estrelas para o livro.

Spindle Cove

1.      Uma Noite Para Se Entregar (A Night to Surrender)
1.5.   Once Upon a Winter's Eve (não lançado no Brasil)
2.      Uma Semana Para Se Perder (A Week to Be Wicked)
3.      A Dama da Meia-Noite (A Lady by Midnight)
3.5.   A Bela e o Ferreiro (Beauty and the Blacksmith)
4.      Any Duchess Will Do (demais livros não lançados no Brasil)
4.5.   Lord Dashwood Missed Out
5.      Do You Want to Start a Scandal

sábado, 5 de novembro de 2016

Turista Literário (outubro / 2016)

Esta semana chegou a mala de outubro do Turista Literário! Para quem não sabe, o Turista Literário é um clube de assinatura de livros jovem adulto. Eu havia gostado bastante da mala do último mês (fiz um post sobre ela) e estava ansiosa para saber se esta seria tão boa quanto.

Primeiramente, se você assina o Turista e ainda não recebeu sua mala, não leia o restante do post pois contém spoilers!!! Dito isto, vamos ao que interessa.

Esta mala veio com um item a menos em relação à passada. Na mala de setembro vieram quatro itens, fora o livro, e nesta vieram três. Mas essa variação é normal. O ponto positivo é que não veio nada melequento, então não teve risco de estragar o livro de novo. =D

 

Na foto da esquerda está a mala com todos os itens que vieram. Na foto da direita, está o souvenir de viagem, que é um jogo americano com o mapa do Tour do Eixo. Eu achei bonito, minha única ressalva é que só uma peça de jogo americano não serve tanto assim. Se fosse um par, seria ótimo. Mas entendo que o custo não permite.


Depois, nós temos a boneca matriosca, que é um sabonete bem cheirosinho no formato da boneca, como mostra a foto da direita. Ela tá com umas palhinhas, porque dentro do saquinho tem umas palhinhas mesmo envolvendo o sabonete. Também veio uma barra energética dos campeões e a tag que explica todos os itens da mala.


Por fim, tem o guia de viagem, que tem o selo para colar no passaporte e fala um pouquinho sobre nosso destino do mês, o livro do mês e seu marcador (já disse que adoro ter o marcador do próprio livro?). O livro é "Lobo por Lobo" de Ryan Graudin. Não é um que eu tivesse realmente querendo, mas fiquei interessada quando li a sinopse. Larissa, então, adorou! Acho que ela lerá antes de mim.

Pelo que entendi, a história do livro se passa em 1956, mas num mundo onde foi Hitler quem venceu a Segunda Guerra Mundial. Para comemorar a vitória do Eixo, todo ano eles fazem o Tour do Eixo, uma corrida de motocicletas passando por países dominados pelo Eixo. E a protagonista pretende participar da competição, ganhar e matar Hitler. Pronto, é o que sei. Só não fiquei mais empolgada, porque não é um livro único. :( Porém, segundo o Goodreads, são só dois livros - com um conto extra, mas não essencial. Menos mal, estou meio cansada de séries longas.

Enfim, gostei da mala, acho que continua valendo investimento (R$79,90) e estou gostando da comunidade do Facebook também. É bom conhecer pessoas que compartilham seus interesses.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

A Louca da Casa - Rosa Montero

A Louca da Casa - Rosa Montero

Editora: Harper Collins Brasil
Ano da Edição: 2016
Páginas: 176
Título Original: La Loca de la Casa

Sinopse
Em A louca da casa , a jornalista e ficcionista Rosa Montero fala da literatura, dos escritores com suas histórias e personagens, da imaginação e da narrativa ficcional. Mas aos poucos, para a surpresa de quem lê, a autora se oferece em espetáculo no ato de imaginar e criar uma narrativa literária com a sua própria biografia, e do mesmo modo vai revelando os segredos da corporação dos escritores. Surgem então os fingimentos de Goethe, a doença de fracasso de Walzer e a síndrome do sucesso de Capote, o drama do reconhecimento póstumo com Melville, o egoísmo de Tolstoi, a vaidade de Calvino, de modo que as entranhas da criação literária vão se tornando íntimas. Enfim, ficção, ou uma fabulação sobre os inventores de fábulas, a obra vai revelando como a vida de qualquer um de nós não funciona de modo diferente das narrativas ficcionais.


Resenha

Este foi o livro da TAG - Experiências Literárias de outubro/16 (tenho um post sobre a caixa da TAG). Como ele era fininho e me deixou curiosa, resolvi passá-lo à frente da minha lista de livros a serem lidos. Não é um livro que eu compraria normalmente, mas como veio na caixa da TAG, tive que lê-lo. Ele é uma mistura de relatos de momentos da vida da autora, com sua opinião e impressões sobre o que é escrever para ela e mais curiosidades da vida de autores famosos. Como é tudo junto, acaba não sendo nem uma coisa, nem outra exatamente.

Não é uma biografia, é um livro mais com opiniões, mas estas também não seguem um argumento, então os capítulos ficam desconectados. Não tem nada que prenda o leitor e o faça querer ler mais, querer ler o próximo capítulo. E essa foi minha dificuldade, eu pensava que, por ser fininho, iria terminá-lo logo, mas custei uns 5 dias, o que não é muito comum para mim. Como os capítulos não seguem uma sequência, o livro ficou parecendo um pouco com um conjunto de posts de um blog pessoal de uma escritora. Essa foi a maneira que encontrei de descrevê-lo. Embora todos os capítulos sejam de um tema maior, que é falar sobre a escrita, a imaginação, manias e vaidades dos escritores, eles não são intimamente ligados.

O que mais gostei foram os fatos e curiosidades sobre os mais diversos escritores de quem ela fala. Nisso, ela foi bem sucedida, pois me deixou curiosa para ler e conhecer vários dos autores citados. Porém, curiosamente, ela não me deixou assim com tanta vontade de ler um livro dela mesma. Não é o livro não seja bom, mas também não é algo excelente e instigante. Ela usa de recursos interessantes, quando reconta fatos que ela diz terem acontecido na sua vida, mas sempre com finais diferentes. Deixa-nos com a pulga atrás da orelha, sem saber o que de fato aconteceu, se é que alguma coisa foi verdade. Só que isso não foi o suficiente para eu achar o livro tão maravilhoso quanto outras pessoas acharam.

Talvez, para aqueles que são escritores, aqueles que são entendedores de literatura ou aqueles que já conhecem ao menos parte da obra de Rosa Montero, este livro seja mais proveitoso. Eu fico achando que se conhecesse algo da autora, as opiniões dela se tornariam mais interessantes para mim. Então, talvez este não seja o livro mais indicado para ser o primeiro que alguém lê da Rosa Montero.

Portanto, acho que a TAG pecou na escolha do livro. Se a autora é pouco conhecida no Brasil e a maioria das pessoas, como eu, não leu nada escrito por ela, um livro que contém cenas de sua vida e suas impressões não seria a melhor forma de apresentá-la aos leitores. É provável que outro livro da autora fosse uma escolha melhor. De qualquer forma, foi uma experiência com um saldo positivo, não me fez desgostar da Rosa Montero. Quanto à revista TAG que acompanha o livro, eu gostei e achei que é, realmente, um bom complemento à leitura.